Na política, dialogar com todos não significa concordar com todos. Conversar com quem pensa diferente é uma necessidade da democracia; ter princípios e convicções é uma questão de coerência. Um político que se dispõe a representar a sociedade precisa estar aberto ao diálogo, ouvir opiniões divergentes, compreender diferentes realidades e buscar caminhos que possam aproximar as pessoas. Mas isso não significa esconder de que lado está.
Eu sei de que lado estou.
Estou do lado da democracia. Estou ao lado dos trabalhadores, dos pobres, daqueles que enfrentam diariamente as dificuldades da vida e de todos aqueles que mais precisam da presença e da proteção do Estado. Defendo as instituições democráticas, o Estado Democrático de Direito e o respeito à Constituição. E considero indispensável combater o racismo, a discriminação, a intolerância e o preconceito de qualquer natureza.
Essas não são posições que precisam ser escondidas para agradar a todos. Pelo contrário. São princípios que devem ser assumidos com clareza.
A política não pode ser apenas um exercício de conveniência. Não acredito na política em que alguém muda de posição conforme as circunstâncias, procura agradar a todos e evita dizer aquilo em que realmente acredita por medo de perder votos ou apoios. É legítimo fazer alianças, construir entendimentos e conversar com diferentes setores da sociedade. O que não considero correto é abandonar princípios para obter vantagens políticas.
É possível conversar com quem pensa diferente sem abrir mão daquilo em que acreditamos.
Aliás, acredito que essa seja uma das maiores virtudes da democracia. O adversário político não precisa ser transformado em inimigo. Quem pensa diferente de nós tem o mesmo direito de expressar suas opiniões, defender suas ideias e participar da vida pública. A divergência faz parte da democracia. O que não pode fazer parte dela é o ódio, a violência, a perseguição, a discriminação ou a tentativa de destruir as instituições porque elas não atendem aos interesses de determinado grupo.
Respeitar quem pensa diferente não significa abrir mão das próprias convicções. Significa reconhecer que a democracia pertence a todos.
Por isso, acredito que um político deve conversar com todos. Deve ouvir empresários e trabalhadores, jovens e idosos, homens e mulheres, pessoas das cidades e do campo, aqueles que concordam e aqueles que discordam. Deve buscar soluções e construir pontes. Mas, ao mesmo tempo, precisa ter coragem para dizer quais são seus princípios.
Deixar claro de que lado você está é, antes de tudo, uma forma de respeito.
Respeito a você mesmo, porque significa não esconder aquilo em que acredita.
Respeito ao eleitor, porque permite que ele saiba exatamente quais são suas posições antes de depositar em você sua confiança.
Respeito aos seus aliados, porque eles saberão quais são os princípios que orientam sua atuação.
E respeito também aos seus adversários, porque eles terão clareza sobre quem está diante deles e quais são as convicções que você está disposto a defender democraticamente.
Não vejo contradição entre ter lado e dialogar. Pelo contrário: acredito que é justamente quem sabe quais são seus princípios que pode dialogar com mais segurança e serenidade.
Quem não sabe no que acredita pode ser levado por qualquer vento político.
Quem possui convicções pode ouvir, ponderar, reconhecer seus próprios erros quando necessário e, ainda assim, continuar defendendo aquilo que considera justo.
Minha escolha é pela democracia e pelas instituições que sustentam o Estado Democrático de Direito. Minha escolha é pela defesa dos direitos dos trabalhadores e daqueles que vivem em situação de maior vulnerabilidade. Minha escolha é contra o racismo, contra a discriminação e contra qualquer forma de preconceito. Minha escolha é pelo respeito às diferenças e pela convivência democrática.
Isso não significa considerar que sou dono da verdade. Ninguém é.
A democracia também nos ensina humildade. Podemos estar certos em algumas questões e equivocados em outras. Podemos aprender com aqueles que discordam de nós. Podemos mudar de opinião diante de novos argumentos. O que não podemos é transformar a política em um espaço onde a única regra seja a conveniência.
Ter lado não significa fechar as portas ao diálogo.
Significa saber quais portas jamais devemos fechar: as portas da democracia, da liberdade, do respeito, da justiça, da dignidade humana e da convivência entre diferentes.
A política precisa recuperar a capacidade de conversar. Mas precisa também recuperar a coragem de assumir posições.
Não precisamos concordar em tudo. Precisamos aprender a discordar sem destruir o outro.
Não precisamos pensar da mesma maneira. Precisamos reconhecer que todos têm o direito de participar da construção do país.
E não precisamos esconder nossas convicções para sermos democráticos.
Eu sei de que lado estou.
Estou do lado da democracia, do respeito às instituições, dos trabalhadores, dos mais pobres e daqueles que mais precisam. Estou ao lado daqueles que acreditam que as diferenças não devem nos separar como seres humanos e que o poder público deve existir para servir à sociedade.
É desse lado que escolho estar.
E, justamente por saber de que lado estou, posso conversar com todos — inclusive com quem pensa diferente de mim.
Porque democracia não é pensar igual.
Democracia é poder pensar diferente, conviver com a diferença e, ainda assim, construir juntos um país melhor.
Antonio Fidelis dos Santos é Consultor – Empresário – Defensor da Democracia e da Justiça Social. Um apaixonado por Lins. E-mail: antoniofidelis.consultoria@gmail.com
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