Imagem: Secretaria Nacional de Negras e Negros
No ano de 1992, organizações do Movimento de Mulheres Negras da América Latina e Caribe se reuniram em Santo Domingos no I Encontro de Mulheres Negras Latinas e Caribenhas. Nessa oportunidade, além de debaterem e analisarem os resultados opressores do machismo dentro da sociedade, também destacaram variáveis específicas das mulheres negras, nas quais se inclui o racismo vigente. O duplo preconceito e a dupla discriminação vivenciados pelas mulheres negras fazem com que elas sejam ainda mais cerceadas com relação às oportunidades.
Dessa reunião de grupos do MMN, surgiu a meta de se organizar para combater a dupla opressão promovida pelo machismo e pelo racismo, que violam ainda mais os direitos das mulheres negras. Para chamar a atenção à essa problemática, as integrantes das organizações presentes nesse evento reivindicaram à Organização das Nações Unidas (ONU) o reconhecimento do dia 25 de julho como o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha.
No Brasil, a data foi instituída por meio da Lei nº 12.987 de 2 de junho de 2014 como o Dia Nacional de Tereza de Benguela e da Mulher Negra. Tereza de Benguela foi uma líder quilombola do século XVIII que atuou no Quilombo Quariteré, no Mato Grosso, juntamente com povos negros e indígenas em um sistema de defesa contra a escravidão.
É preciso reforçar a luta das mulheres negras que são as maiores vítimas da violência doméstica, de feminicídio e valorizar as organizações de mulheres negras em todo o país e a luta que travam contra o machismo e o racismo, infelizmente são muito fortes no Brasil.
A agenda Julho das Pretas se justifica porque a dupla opressão produz efeitos que se relacionam e se complementam, promovendo condições de falta de oportunidades, exclusões e estratégias e superação. As representantes do público que passam por esses problemas são as mulheres negras, as quais ocupam a base da Pirâmide das Desigualdades.
Segundo dados do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, duas em cada três vítimas de feminicídio são negras, o risco de uma mulher negra ser morta é 64% maior do que o de uma mulher branca.
Marcha das Mulheres Negras

Marcha das Mulheres Negras no Julho das Pretas do Paraná 2018, no Parolin. Foto: Organização do Julho das Pretas – PR (2018)
Contudo, foi após a Marcha das Mulheres Negras em Brasília, organizada pela Articulação das Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) e realizada em 18 de novembro de 2015, que organizações de mulheres negras de todo o Brasil começaram o planejamento da programação do Julho das Pretas pelos estados que ainda não era realizado. A RMN-PR, como filiada da AMNB, organizou essa Marcha no Paraná e, seguindo essa linha de planejamento, decidiu realizar em 2017 o Julho das Pretas no contexto paranaense.
Nos dois últimos anos, por ocasião da pandemia do novo coronavírus, as atividades do Julho das Pretas foram realizadas todas no formato on-line. Com a volta dos eventos presenciais, na edição deste ano, a agenda conta com atividades que visam promover a consciência política dentro do atual contexto por meio de oficinas, encontro de jovens negras, contação de histórias, lives, palestras e ações filantrópicas.
Dentro das pautas raciais e de gênero, há a necessidade de dar mais visibilidade à essas variáveis, em prol de garantias de políticas públicas. Assim, o Julho das Pretas é uma forma de poder denunciar as demandas específicas que são diferentes das produzidas pelo machismo e pelo racismo de forma individual.
Por: Ana Fidelis Miasso
Fonte Cut -SP / Jornal Plural
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