O 8 de Março, Dia Internacional das Mulheres, não é apenas uma data de celebração. É, sobretudo, um chamado à responsabilidade — especialmente para nós, homens. Em um país que ainda convive com índices alarmantes de feminicídio, violência doméstica e desigualdade salarial, não basta prestar homenagens simbólicas. É preciso agir, rever privilégios e assumir um compromisso ativo com a transformação dessa realidade.
O enfrentamento à violência contra as mulheres começa dentro de casa, nas conversas entre amigos, nos ambientes de trabalho e também nas instituições. Homens precisam romper o pacto de silêncio que historicamente protege agressores. Isso significa não rir de piadas machistas, não minimizar denúncias, intervir quando presenciarem situações de violência e apoiar mulheres que buscam ajuda. Significa, também, educar meninos para uma masculinidade baseada no respeito, no cuidado e na igualdade, e não na dominação.
No espaço público, nosso dever é fortalecer políticas que garantam proteção, autonomia econômica e participação política das mulheres. Como parlamentar, sei que leis como a Lei Maria da Penha e a tipificação do feminicídio foram conquistas fundamentais, mas sua efetividade depende de orçamento, fiscalização e compromisso político permanente. Homens que ocupam cargos de poder precisam usar seus mandatos para ampliar redes de acolhimento, casas-abrigo, delegacias especializadas e políticas de geração de renda para mulheres.
A luta por justiça de gênero também dialoga com a defesa do meio ambiente e dos direitos sociais. As mulheres — especialmente as negras, indígenas, quilombolas e periféricas — estão na linha de frente do cuidado com os territórios e são as mais impactadas pelas crises climática e econômica. Combater a violência e a discriminação é parte do mesmo projeto de país que enfrenta desigualdades estruturais e constrói um futuro sustentável.
Neste 8 de Março, deixo um convite direto aos homens: não sejam espectadores. Sejam aliados ativos. Ouçam, aprendam, compartilhem responsabilidades e apoiem as lutas feministas. O fim do feminicídio e da violência contra as mulheres depende de uma mudança cultural profunda — e essa mudança passa, necessariamente, por nós.

Nilto Tatto é Deputado Federal(PT-SP) , membro da Comissão do Meio Ambiente da Câmara dos Deputados e Presidente da Frente Parlamentar do Meio Ambiente.
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