A aprovação do fim da escala semanal de trabalho 6X1 representou uma das mais importantes vitórias da classe trabalhadora brasileira nos últimos anos e uma vitória inegável do presidente Lula, pela persistência e compromisso com a dignidade das trabalhadoras e dos trabalhadores excessivamente explorados por um empresariado que tem sede desmedida de lucro.
A discussão em torno do fim da escala de trabalho 6×1 consolidou-se como um dos temas mais centrais no debate social e econômico do Brasil. A rotina em que o trabalhador cumpre seis dias consecutivos de atividade laboral para apenas um dia de repouso semanal passou a ser amplamente questionada. O debate ultrapassou a esfera técnica trabalhista e transformou-se em um vetor de articulação popular, embate legislativo e tema eleitoral, especialmente no contexto do segundo turno das eleições presidenciais de 2026.
A tramitação e a aprovação das propostas de redução da jornada de trabalho sem redução salarial ganharam contornos decisivos durante a disputa presencial do segundo turno. A demanda por melhores condições de trabalho e por um modelo que contemple mais tempo para o descanso, a convivência familiar, o lazer, a cultura, os estudos emergiu como prioridade para parcelas significativas do eleitorado urbano e resultou nesta grande vitória.
O impacto direto da jornada de trabalho no cotidiano da população de baixa renda e do setor de serviços obrigou todas as forças políticas a definirem posições claras diante do avanço do texto no Congresso Nacional.
A postura do senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro refletiu as contradições entre a agenda econômica liberal, as exigências de seu eleitorado e o cálculo político-eleitoral. Historicamente alinhado a setores empresariais e defensor de flexibilizações nas leis trabalhistas — tendo assinado propostas voltadas ao trabalho flexível —, o candidato do PL adotou inicialmente tom crítico em relação à obrigatoriedade do fim da jornada 6×1.
Contudo, com a proximidade da votação decisiva no Senado e no ambiente do segundo turno, Flávio Bolsonaro optou por registrar voto favorável à Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que acaba com o modelo 6×1. A movimentação foi interpretada por analistas como uma estratégia para neutralizar o uso eleitoral do tema por seus opositores e evitar desgastes junto aos trabalhadores. Ao mesmo tempo, sinalizou-se a interlocutores do setor produtivo a possibilidade de futuras revisões ou regulamentações que flexibilizem a implementação gradual das novas regras. Ou seja, demonstrou que não merece a confiança da classe trabalhadora, ao contrário do presidente Lula, que vem promovendo ao longo dos anos políticas para preservar e ampliar direitos.
Desde o início posicionei-me e lutei pelo fim da escala 6X1. Não há sociedade democrática e justa se milhões de trabalhadores e trabalhadoras passam a quase totalidade das horas de seis dias da semana entre o transporte público demorado, lotado e desconfortável e o local de trabalho. As mulheres enfrentam mais horas de trabalho, cuidando de afazeres domésticos e cuidados com os filhos, sem nenhum tempo para cuidarem de si mesmas.
No caso da nossa categoria, o magistério, lutamos pela aplicação correta da jornada prevista na lei 11.738/2008. Deveríamos cumprir 26 aulas semanais com estudantes e o equivalente a 14 aulas em preparação e correção de aulas, provas e trabalhos e formação continuada. A maioria absoluta dos governantes não cumpre a lei. Professoras e professores continuam a levara para casa tarefas que deveriam ser cumpridas dentro da jornada de trabalho. Assim como foi derrubada a escala 6X1, estamos na luta para que a jornada correta dos professores seja respeitada e acreditamos na vitória!
Professora Bebel é Deputada Estadual – PT e Primeira Presidenta da APEOESP
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